O maquiavélico plano de Vieira para controlar o Benfica, segundo Gomes da Silva

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O maquiavélico plano de Vieira para controlar o Benfica, segundo Gomes da Silva

Ex-vice escreve carta ao líder da AG e antecipa os próximos passos da estratégia do presidente, com a OPA à SAD

Na sua habitual crónica no blogue Geração Benfica, publicada nesta segunda-feira, Rui Gomes da Silva escreve uma carta aberta, dirigida ao presidente da Assembleia Geral, onde pede a Luís Nazaré para que “faça tudo” para impedir o que apelida de “jogada” de Luís Filipe Vieira, que começou com a oferta pública de aquisição (OPA) lançada à Benfica SAD.

“Que este texto sirva para te dar a força extra que precisarás para, com a legitimidade que te advém desse cargo – o primeiro de todos nós – fazeres tudo (tudo mesmo) para impedir esta jogada para que estamos a ser levados, com a ignorância de uns, a boa-fé de outros, o voluntarismo de outros tantos, a conivência de uns poucos, contra a frieza e a determinação de alguns (muito poucos) que se acham com o direito de ficar com o Benfica para eles”, enquadra o ex-dirigente.

Rui Gomes da Silva (que já tinha criticado a OPA) faz uma guião, onde antecipa o resultado final desta operação, passo a passo, começando por destacar a “passividade da CMVM (no seguimento, como sempre, aliás, de toda a passividade com os poderosos enquanto eles o aparentam ser)”.

Com esta OPA, que deve estar concluída em 2020, o Benfica “devolve 32 milhões de euros a investidores amigos e companheiros – de viagem ou de viagens, de compras ou de vendas – do presidente, que verão as suas ações valorizadas em 81 por cento”.

O ex-vice descarta os argumentos apresentados pela direção encarnada, para justificar a operação, e não acredita que qualquer parceiro estratégico tenha, no futuro, interesse em adquirir ações do Benfica.

Em paralelo, neste plano de Vieira, Rui Gomes da Silva acredita que o cenário vai manter-se, com o clube da Luz a ganhar em Portugal, mas a mostrar fragilidades na Europa. Até que entram em cena os comentadores que defendem a direção.

“Continuaremos a ganhar cá dentro e a demonstrar a nossa fragilidade na Europa do futebol, começando a aparecer as primeiras análises (encomendadas e bem pagas, obviamente) sobre a inevitabilidade de investimento externo para voltarmos a poder ambicionar a conquista de um título europeu”, antecipa.

Segue-se a apresentação aos sócios de um cenário: ou aceitam esta realidade, ou admitem perder a maioria na SAD, com a finalidade de ter um Benfica que almeje por títulos europeus.

“Os sócios, levados por esses cantos de sereia, votarão, em outubro de 2020, a revogação do n.° 2 do artigo 4.º dos Estatutos do Benfica”, escreve.

Rui Gomes da Silva não tem dúvidas de que “o voto eletrónico confirmará a perda do controlo da Benfica SAD pelo Benfica”, o que abrirá caminho para a entrada de “parceiros estratégicos”, entre os quais Luís Filipe Vieira.

“O Benfica deixará de ser nosso, o atual presidente será presidente da SAD até ao fim da vida e o Seixal servirá como abastecedor de uma estratégia de entreposto de jogadores, com os sócios a constarem a forma como foram enganados, embora já nada seja possível fazer!”, aponta ainda o antigo dirigente, opositor a Vieira.

Gomes da Silva apela ao “benfiquismo” de Luís Nazaré, para que lhe dê “forças para lutar contra esta apropriação individual, abusiva e irreversível do Benfica”.

“Por mim, irei disputar as próximas eleições contra isto e contra todos os abusos que constatamos todos os dias”, salienta, pedindo controlo e vigilância sob os mecanismos de voto eletrónico.

Refira-se que Luís Filipe Vieira já se manifestou “magoado” com comentários negativos sobre a OPA. E garantiu que esta operação tem como único objetivo “defender os interesses do Benfica”.

A OPA parcial sobre 28 por cento do capital da SAD, lançada em 18 de novembro, implica um investimento na ordem dos 32 milhões de euros e, caso seja bem sucedida, pode reforçar a posição da Benfica SGPS para até 95 por cento do capital da entidade que está cotada na bolsa de Lisboa.

Vieira disse também, na semana passada, que “não há negócio escondido nenhum” e que esta operação tem como objetivo “reforçar a parte acionista do Benfica, o clube em si”.

“Acho que o Benfica está muito apetecível, por isso, tinha que se salvaguardar”, disse ainda o presidente, que não convenceu Rui Gomes da Silva. 

Fonte: https://bancada.pt

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